Críticas de Livros

Interferências, de Connie Willis | Crítica do Livro

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As inovações tecnológicas estão dominando as nossas vidas cada vez mais. É quase um consenso que a internet hoje é uma ferramenta extremamente essencial em nossas vidas, assim como os celulares. São mudanças que ocorreram há pouco tempo na sociedade, mas já são impossíveis de serem deixadas de lado.

Esse é um exemplo do mundo real para os questionamentos levantados no livro Interferências. Na trama existe uma nova tendência entre a população que é fazer um procedimento cirúrgico para que os casais consigam saber o que cada um está sentindo, mas que não sabe explicar.

A protagonista Briddey passa por esse procedimento logo no início do livro com seu namorado, Trent, que trabalha na mesma empresa que ela: Commspan, uma grande marca de celulares.

Dentro da companhia existe também o C. B., como é chamado, um homem antissocial e reservado que alerta a protagonista sobre os problemas de fazer esse procedimento, e aconselha ela a não fazer. E como alertada, uma coisa ruim da errado: ela passa se conectar telepaticamente com o próprio C. B.

Essa confusão toda é apenas o início para as varias reviravoltas que acontecem ao longo do livro, e que de fato mudam tudo. O ritmo é bem rápido, dinâmico e cômico em sua maioria.

Porém, também é um livro perturbador. Em alguns momentos, principalmente no início, é desesperador se colocar no lugar da protagonista e ser obrigada a ouvir a voz de uma outra pessoa em sua cabeça, e sem conseguir bloqueá-la. Em determinado momento ela se compara até com uma pessoa esquizofrênica.

Além dessa crítica social, a autora também retrata a dependência das tecnologias que toda a sociedade no geral tem, todos sempre aos celulares. E faz uma pequena sátira aos grandes empresários que estão sempre em reuniões importantes, mas que no fundo não mudam nada na vida deles.

Repleto de mais revira voltas, o fim do livro é surpreendente em alguns aspectos e previsível em outros, mas cumpre o dever de divertir, entreter e fazer o leitor pensar. É uma ótima metáfora para várias situações que vivemos hoje, e que ainda viveremos no futuro.

O livro de quase 500 páginas explora bem o relacionamento dos humanos com as tecnologias e fala não só sobre a nossa dependência tecnológica, mas também sobre a nossa necessidade em sempre saber tudo. E por fim é uma grande mensagem sobre as consequências de estar desejando ser bem informado: você pode acabar realmente sabendo de tudo, até do que não quer.

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