Críticas de Filmes

Caixa de Pássaros | Crítica do Filme

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C O N T É M   S P O I L E R

Um bom filme, porém não uma boa adaptação.

Caixa de pássaros é uma adaptação baseado no livro de mesmo nome do escritor Josh Malerman publicado pela Intrínseca e adaptado pela Netflix, que tô começando a achar que deveria parar de tentar adaptar as coisas, porque olha, só tristeza. É engraçado que quando eu li a história, eu amei todo o enredo do passado e não curtia muito o presente por ser mais “calmo” e se passar em sua maioria no rio, mas o longa metragem fez o contrário comigo, porque o presente está super bem desenvolvido e filmado, enquanto o passado juntaram um monte de bugigangas, colocaram no liquidificador e pronto.

O filme, igual ao livro, é dividido em presente e passado. O presente é o momento em que Malorie está fugindo com os filhos para um abrigo, após ser deixada sozinha na casa, onde morou por 5 anos desde o início da epidemia. E o passado é a história de como tudo se início, enquanto a protagonista estava grávida e precisava manter ela e seu bebê a salvos de algo que ninguém compreendia.

Quando o filme começou com Malorie (Sandra Bullock) ditando as regras para as crianças antes de encararem o rio em direção ao abrigo foi um bom começo, na verdade, não há qualquer objeção da minha parte em relação a todo o enredo do presente que foi muito bem feito e, com certeza, muito graças a atuação de Sandra Bullock. Porém, quando a parte do passado inicia é tamanha correria no desenvolvimento que me deixou um pouco confusa e me perguntando o que tinha ou não de fato no livro (que eu li há muito tempo, muito antes de existir a possibilidade de uma adaptação).

Primeiro, criaram personagens que não existiam e se ao menos tivessem servido de algo na história, tudo bem, mas não serviam de nada, só enche linguiça. Quando a mudança é para melhor, não tem problema, mas a mudança sem motivação, não faz o menor sentido Segundo, Tom (Trevante Rhodes) no livro é um personagem super importante para manter todo o ambiente saudável e amigável da casa, no filme ele foi só mais um peso morto do que qualquer outro personagem secundário mal explorado. E ainda há a questão que ele não sobrevive ao ataque na casa no livro. O certo era Malorie passar os quatro anos seguintes sozinha cuidando das crianças, mas parece que a galera curte introduzir um romance numa distopia, mesmo não sendo o foco da história.

Terceiro, foi só eu ou parecia que mesmo em um mundo pós-apocalíptico tudo parecia surgir de mão beijada? Pelo amor! Não me recordo, mas se não estou enganada, não existia supermercado nenhum, eles precisavam ir de casa em casa, vendados, para conseguir comida e muitas vezes perto de estragar ou já vencidas (nunca esquecerei a cena que um deles tocou em um olho dentro de uma tigela). Quarto, que tanto eles tiravam a venda nos lugares? Eu saria batendo em tudo, mas não ficaria tirando minha venda fora de casa. Quinto, o que dizer do Gary (Tom Hollander)? Um puta personagem incrível no livro e tão mal explorado na adaptação e sem expressar de fato suas motivações.

Eu poderia fazer uma lista imensa aqui, mas o post ficaria igualmente imenso. É claro, é a minha opinião em cima de um livro que eu sou apaixonada, idolatro e defendo com unhas e dentes. Se você não leu o livro a melhor coisa que poderia fazer a si em 2019 é lê-lo. É uma obra incrível e não chega aos pés do longa, todo o suspense e a aflição com a leitura são muito maiores, tem cenas que são indescritivelmente magníficas de tão torturantes. É uma obra prima, por mim, poderia virar um clássico do gênero.

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